Painel solar aguenta vendaval? O módulo raramente é o ponto fraco. Entenda como norma, projeto, telhado e estrutura definem se o sistema atravessa um temporal sem danos
No fim de julho, uma frente fria forte passou pelo Sul e pelo Sudeste, com uma sequência de microexplosões na região de Ribeirão Preto (SP), tornados no Rio Grande do Sul e rajadas de até 145 km/h. Desde então, uma pergunta chega com frequência aos integradores e instaladores: o sistema fotovoltaico suporta vendaval?
Sim. Um sistema dimensionado de acordo com as cargas de vento conforme norma brasileira e instalado conforme o manual do fabricante atravessa a grande maioria dos temporais sem dano. Quando um painel se solta, o problema quase nunca está no módulo, e sim em algum componente que o prende ao telhado.
O que o vento faz com o sistema?
O esforço mais perigoso não é a compressão do painel sobre a estrutura, e sim a sucção. Ao passar por cima do telhado, em altas velocidades, o vento tende a criar uma pressão negativa e turbulências que podem resultar no arrancamento do módulo da sua fixação. Essa força é maior nas bordas, nos cantos e perto da cumeeira. Ela sai do módulo, passa por grampos, trilhos, suportes e parafusos, e termina na telha e no madeiramento. A resistência do sistema total é a menor resistência dentre esses componentes do caminho.
Rajadas de vento e NBR6123
As cargas seguem a NBR 6123, norma da ABNT sobre forças do vento em edificações. Ela define a velocidade básica do vento de cada região pelo mapa de isopletas e ajusta esse valor pela topografia, pelo entorno, pela altura da edificação e pelo tipo de uso.
Na região de Ribeirão Preto, a rajada máxima medida pelo INMET foi de 121,7 km/h, em Pradópolis, abaixo do que a norma já prevê para a região. O que derruba sistemas, na maior parte dos casos, é um vento já previsto pela norma encontrando um projeto que a ignorou.
Os quatro fatores que decidem a resistência da estrutura
1. Projeto estrutural
O cálculo parte do vento da região, da altura da edificação e da posição do arranjo no telhado. É ele que define quantos pontos de fixação cada trilho precisa e a distância máxima entre eles. Um kit que serve para uma casa térrea no interior pode não servir para um galpão alto no litoral.
2. Material das estruturas de fixação
Tipo de liga de alumínio, espessura do componente e formato do perfil definem quanto o trilho resiste sem deformar. Parafusos e grampos precisam acompanhar esse esforço. Materiais inadequados, sem critério, favorecem a corrosão, que enfraquece a fixação muito antes do temporal.
3. Condição do telhado
A estrutura transfere todo o esforço para a cobertura. Com madeiramento podre ou terça subdimensionada, nenhum suporte compensa. Cada telha tem seu ponto certo de fixação: em telha trapezoidal, a onda alta; em telha cerâmica, o gancho fixado no caibro. Veja mais em fixação de painéis por tipo de telhado.
4. Montagem
Torque correto nos parafusos, número de fixações respeitado, grampo compatível com a altura do módulo e distância das bordas do telhado. Cada atalho, como um ponto de fixação a menos ou um aperto fora do recomendado, consome a margem de segurança que o projeto reservou para as cargas de vento.
O que isso significa para o integrador?
A estrutura é uma fatia pequena do custo do sistema fotovoltaico, mas segura todo o investimento. Quando um componente se solta, o prejuízo pode incluir telhas quebradas, infiltração, danos no imóvel, retrabalho e a reputação da integradora.
Na venda, o cliente não precisa de uma aula sobre a NBR 6123. Basta mostrar que a estrutura foi dimensionada para o vento da região, que o telhado foi avaliado e que a montagem segue o manual. Com o dado técnico e a garantia do fabricante em mãos, a dúvida vira argumento de venda.
Inspeção antes da temporada de temporais
No Sudeste e no Centro-Oeste, as tempestades se concentram na primavera e no verão. No Sul, ventos fortes ocorrem o ano todo, como mostrou o episódio de julho. Por isso, vale revisar os sistemas já instalados antes do próximo período de temporais.
Confira aperto de parafusos e grampos, corrosão, trilhos deformados, telhas trincadas perto das fixações e sujeira ou ninhos sob os módulos. O checklist de proteção contra vendaval e chuva forte, publicado no Portal Solar, serve de roteiro para a visita.
Como a Pratyc trata o vento nas estruturas?
As estruturas de telhado da Pratyc são feitas em liga de alumínio 6005-T5, mais resistente que a liga 6063 comum no mercado, com parafuso M8 em inox 304 em toda a linha.
A garantia é de 25 anos contra corrosão em ambiente C3 e de 5 anos contra defeitos de fabricação. Os kits de telhado incluem o Seguro Pratyc, que cobre danos aos bens do cliente durante e após a instalação, por 90 dias a partir da emissão da nota fiscal.
Perguntas frequentes
Painel solar pode voar com o vento?
Pode, quando a estrutura não foi dimensionada para o vento da região, faltam pontos de fixação ou o telhado não suporta o esforço. Com projeto baseado na NBR 6123 e montagem pelo manual, o risco é muito baixo.
Quantos km/h um painel fotovoltaico aguenta?
Não existe um número único. Depende do vento da região, da altura e da posição do sistema no telhado e da quantidade de fixações, por isso o dimensionamento é feito projeto a projeto.
A estrutura precisa ser revisada depois de um vendaval?
Sim, principalmente em regiões de vento forte. Depois de um temporal, vale conferir se há parafusos ou grampos frouxos, trilhos deformados, telhas trincadas perto das fixações e módulos desalinhados. Uma estrutura que resistiu ao vento pode ter perdido aperto, e o problema só aparece no evento seguinte.
O painel solar aguenta vendaval quando estrutura, fixadores, telhado e montagem foram pensados para isso. Afinal, a estrutura é a base de tudo.




